Jigoku e no kikan (Cap 2 - P.2)


Jackson: Vou querer duas, por favor.

Barman: Pode deixar.

Jackson: Opa... e qual é seu nome, senhorita?

Isabel: Oi, eu sou a Isabel.

Jackson: Hum, Bebel.

Narrador: Seja descontraído, elas adoram os extrovertidos.

Jackson: O que você faz sozinha em uma festa dessa, veio pegar alguém?

Isabel: Quem sabe?

Jackson: Eu tô disponível.

Isabel: (surpresa) Ah, assim? Não vai nem me pagar uma bebida, sei lá, me chamar pra sair?

Barman: Aqui estão suas duas bebidas, senhor.

Jackson: Bem, a bebida já tá paga, só falta eu te chamar pra sair. (levantando) Estou indo para um restaurante daqui a pouco. Se quiser ir comigo, me encontre no estacionamento em 5 minutos.

[4 min depois]

Isabel: Oi.

Jackson: Oi.

Isabel: Não me atrasei, não é?

Jackson: Só um pouco, já estava seriamente pensando em jantar só. Mas o seu perfume ficou na minha mente, e resolvi esperar um pouco mais.

Isabel: (risadinha)

Jackson: (abrindo a porta do carro) Vamos?

Isabel: Claro, mas ainda não perguntei seu nome?

Jackson: Meu nome, é Matheus.

Isabel: E vamos jantar aonde, Matheus?

Matheus: Em um lugar especial, tenho certeza que você vai gostar.

Narrador: E simples assim, Isabel foi minha próxima aventura. Nunca mais como a parte inocente desse teatro.

[depois do jantar]

Isabel: Nossa! Isso foi incrível. Eles sempre fazem espetáculos?

Matheus: Não. Só quando a pessoa certa pede.

Isabel: Ui, ui.

Matheus: Vamos, tenho que te levar pra casa, tá escuro pra você ir sozinha.

Narrador: No caminho pra casa, apenas silêncio e uma música good vibe no carro. Apenas deixando ela absorver toda aquela sensação.

Matheus: Chegamos.

Isabel: Ei, pega meu número.

Matheus: Não.

Isabel: O quê?

Matheus: Eu não quero pegar seu número.

Isabel: Mas, por quê? Eu achei que...

Matheus: Porque eu vou te passar o meu.

Isabel: (risos de nervoso) Nossa, não me assusta assim. Ok, pode falar.

Matheus: Estamos no Brasil, né?

Isabel: Sim.

Matheus: Tá, então anota aí (+55 DDD XXXX-XXXX).

Isabel: (salvando) Nome: Matheus do bar.

Matheus: Tem tantos Matheus assim, é?

Isabel: Tá bom. Nome: Matheus S2.

Matheus: Melhor. Tchau, Bel.

Isabel: Te mandei uma mensagem, me responde quando chegar. Até depois, Matheus.

Matheus: Até.

[uma semana depois]

[Jackson com as mãos limpas e uma faca ensanguentada]

(Barulho de mensagens)

Isabel: Matheus, por que não me responde?
22:14
Você sumiu ontem.
22:19
Jackson: Tive algumas coisas pra resolver.
22:18
Isabel: E não podia avisar?
22:19
Jackson: Podia.
22:20
Isabel: Então por que não avisou?
22:20
Jackson: não queria que você sentisse minha falta
22:22
Isabel: bem, eu senti
22:23
Jackson: que droga, não?
22:24
Isabel: Matheus, você está bem?
22:26

[Matheus está digitando]
(Matheus parou de digitar)

Isabel: Matheus?
22:29

[2 dias depois]

Matheus: Ei, Bel, tá a fim de sair hoje?
18:32
Isabel: Matheus, você passa dois dias sem me mandar mensagem, e do nada só aparece me chamando pra sair.
18:35
Matheus: Sim, você quer ou não quer?
18:36
Isabel: Tá, eu quero.
18:38
Matheus: Ótimo, Me encontre no mirante as 20h.
18:39

[20:00]
Isabel: Nossa, esse lugar é meio isolado. (rindo de nervoso)

Jackson: Sim. É por isso que gosto dele. Ele me lembra a infância. (respiração profunda) E agora uma retrospectiva.

Narrador: Começo a escalar o mirante. Bel apenas me olha, parada, igualmente como as outras. Lá no alto, tiro uma parede falsa e pego uma pistola USP silenciada.

Isabel: Matheus?

Jackson: (suspiro) Ah, Bel. Você me lembra eu quando criança, e eu odeio pessoas que me lembram dessa época.

Isabel: Matheus... o que é isso?

Jackson: Eu costumava gostar de pessoas. De verdade.

Isabel: Matheus, você está me assustando.

Jackson: Eu sei.

(aponto a arma para Isabel)

Narrador: Eu já sei exatamente como isso acaba. Algumas imploram. Algumas tentam correr. Isabel apenas ficou parada. Talvez tenha sido por isso que demorei alguns segundos a mais.

Isabel: Não, por favor, Matheus... Eu te amo.

Jackson: Adeus, Bel.

(POW)
(disparo abafado)

Narrador: Depois eu fazia aquilo que sempre fazia.

[Jackson se aproxima do corpo com uma faca e luvas em suas mãos]

Narrador: Abro sua camisa e, em seu peito, faço um coração com minha faca. E, dentro dele, a minha letra. (J) Para que, toda vez que encontrassem uma delas, encontrassem também uma pequena parte daquilo que um dia fizeram comigo. Assim como as outras...

Giulia: Willian, lembra daquele nosso beijo no parque? Não me diga que aquilo não significou nada pra você.

(POW)
(disparo abafado)

Sophia: Não, por favor, não me mate.

(POW)
(disparo abafado)

Alisson: Últimas palavras?

Vicky: Vai, atira.

Alisson: Anh...

Vicky: Atira.

Narrador: Por que ela diz isso?

Alisson: (risos) Você brinca muito com a vida, Vicky.

Vicky: É mesmo?

Alisson: SIM.

(Jackson abaixa a arma e pega a faca, colocando-a no rosto da Vicky)

Alisson: O que você pretende com isso? Morrer aqui?

(Jackson começa a cortar a bochecha de Vicky)

Alisson: Tão fraca, nem ao menos tenta evitar. Você é diferente das que conheci.

Vicky: Você também é diferente dos que conheci.

Alisson: Você não está com medo?

Vicky: Deveria?

Alisson: Todas ficam.

Vicky: Eu não sou a única, né? Isso era óbvio.

Narrador: Óbvio... eu era óbvio?

Vicky: Você odeia mulheres?

Alisson: (risada baixa) Não, só as que me lembram demais eu.

Vicky: Nem todas as mulheres são iguais, Alisson.

Alisson: Não fala besteira.

Vicky: Então, por que ainda estou viva?

Alisson: Porque... Eu decidi isso.

Narrador: Todas as mulheres que trouxe para cá, eu escolhi, eu abordei. Com a Vicky foi diferente. Ela me abordou, ela que me escolheu.

Vicky: Deixa eu te dar uma visão melhor da vida.

Alisson: O quê?

Vicky: Deixa eu tentar.

Alisson: Sabe que vou te machucar, não é?

Vicky: Sim.

Alisson: Então, por que está fazendo isso?

Vicky: Por que eu acho que posso... te mudar.

Alisson: (risada espontânea) Tá começando a me lembrar eu, tô quase atirando em você. Anda, vai embora. Eu preciso ficar sozinho um pouco.

[No dia seguinte]
[Barulho de mensagens]

Vicky: Oi, como você está?
12:43
Alisson: O mesmo de ontem.
12:52
Vicky: Você sempre responde assim?
12:54
Alisson: Assim como?
12:56
Vicky: Tão pessimista? kkk
12:57
Alisson: Se você acha que realmente consegue me mudar, me diga uma coisa.
14:36
Vicky: O quê?
15:53
Alisson: Se eu matar outra mulher hoje, você ainda vai acreditar que existe alguma coisa boa em mim?
18:41
Vicky: Vou...
23:56

[Alguns dias depois... Na casa da Vicky]
Alisson: Você quer me mudar?

Vicky: Quero.

Alisson: Então você vai ter que aceitar uma coisa.

Vicky: O quê?

Alisson: Talvez eu não queira ser mudado. Sabe, Vicky, teve apenas uma pessoa que poderia evitar eu ser quem eu sou. (suspiro) Tay... Eu já matei tanta gente, eu não sinto mais amor.

Vicky: Você nunca amou nenhuma delas.

Alisson: Não.

Vicky: Alisson.

Alisson: Meu nome nunca foi Alisson. Mas te provei que você nunca iria conseguir me mudar.

Narrador: Tiro a arma da cintura.

Alisson: Mas parece que você é ingênua demais para isso. Não tenho mais motivos para te deixar viva.

(Aponto a arma para ela)
(POW)
(disparo abafado)

Alisson: No final, você virou apenas mais uma vítima.

(Som de sirene ao fundo)

Vicky: (com uma voz sofrida) Não, Alisson.

Jackson: Meu nome não é Alisson, é Jackson.

Vicky: Jackson... (risadinha) Eu realmente achei que conseguiria mudar você, mas depois... Eu perdi a esperança. Só esperava que eles chegassem antes.

(Som de sirene se aproximando)

Jackson: Eles? Eles quem?

[Porta sendo arrombada]

Polícia: POLÍCIA! MÃOS PRA CIMA!

Jackson: (suspiro)

[Interrogatório]
Young: Olá, Jay.

Jackson: Jay?

Young: Foi o apelido que o pessoal colocou.

Jackson: Nossa, que originais.

Young: Bom, a qualquer momento você pode falar seu nome, e o chamaremos como tal. Meu nome é Young e eu sou cientista. E você, já que não gostou de Jay, que tal Sedutor? Fiquei sabendo que esse é um dos seus dons. Não vai me seduzir, vai?

Jackson: Não tenho interesse em corpos velhos. Além do mais, você já vai morrer mesmo, não precisa de minha ajuda para antecipar isso, senhora.

Young: Então, estou segura. Você, por outro lado, vai participar de experimentos científicos.

Jackson: E se eu não quiser?

Young: Você não tem que querer.

Jackson: Vão me obrigar, é?

Young: Não necessariamente. Sabe, Jay, dentro dessas celas, dessas prisões, existem muitas pessoas que a gente não tem muita certeza de que cometeram crimes e, mesmo assim, existem muitos inocentes lá dentro, por precaução, sabe? Agora você é um caso diferente. Você, nós temos certeza de que cometeu um crime e, como seu crime não é dos mais leves... (barulho de documentos sendo jogados à mesa) O governo me dá total autorização para te usar como cobaia. Entende, Jay? Igual você fazia com suas vítimas. Isso não te excita?

Jackson: Um pouco.

Young: Ótimo. Se você colaborar, terá alguns benefícios aqui na prisão, quem sabe uma TV, um ar-condicionado. Pense nisso.

Jackson: Eu topo.

Young: Excelente, então te levarei agora para o nosso primeiro experimento.

[Na ala de acesso restrito da prisão]
Young: Ponha.

Jackson: O que é isso?

Young: Isso, senhor Jay, é um óculos. Após colocá-lo, ele vai te mandar para... Bem, outro mundo.

Jackson: Outro mundo, é? E como é esse outro mundo?

Young: Bem parecido com o nosso pra falar a verdade. A diferença é que lá você não terá cometido nenhum crime. Será um novo homem para viver uma nova vida.

(Jackson coloca os óculos VR)

Tay: Jackson

Jackson: Tay?

Tay: Jackson, eu fui obrigada, eu não queria te levar para aquela armadilha. Eu realmente gostei de você depois que saímos.

Jackson: Tay.

Tay: Jackson, deixe eu te levar para um lugar realmente que eu quero agora.

Jackson: Tay, onde estamos?

Tay: Seja bem-vindo, Jackson, ao Inferno.

[Cena pós-créditos]

Young: Relatório?

Relator: Morte, senhora.

Young: Algum avanço nas pesquisas?

Cientista: Os mesmos que os da última vez, aumento das atividades irregulares no cérebro e, logo depois, interrupção nos envios de dados

Young: (sussurrando) O que há de errado com esse jogo?

Escritor: Gabriel SouzART